Nhanderu Artes – Decoração & Bioconstrução Nacional

04/08/2017 | sem comentário | Categoria(s): Artistas

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A impronta do "Bruno Sobrenome", idealizador da Nhanderu Artes, é inconfundível. Conhecido especialmente pelas suas criações integradas ao ecosistema, utilizando elementos naturais, seu trabalho se supera na boca de todo mundo que tem a oportunidade de contemplá-lo de perto. Nessa oportunidade, o Bruno nos conta sobre seus inicios e sua transformação, desde artista de rua até idealizador dos palcos orgânicos mais originais da cena. Sustentabilidade criativa, trabalho de alta qualidade!

De onde o Nhanderu Artes é?

Bruno Sobrenome (BS): Trabalho com uma equipe, mas os projetos são todos idealizados por mim, que sou de Paraná.

Utopia Festival 2017 | Fotografia: Entheogen Fotografia Alternativa

Como foi o processo de aprendizagem? 

BS: A arte sempre esteve presente na minha vida, quando criança meu avô desenhava pra mim, isso me encantava e decidi que queria aprender a desenhar.

Fotografia: Rafote

Elementorum Naturae 2017 | Fotografia: Mushpic | Galhos, barro, palha, reboco e bambu

Passei boa parte da minha infância e adolescência desenhando mas nunca fiz nenhum curso, nunca consegui me adaptar ao sistema de ensino.

Elementorum Naturae 2017 | Fotografia: Mushpic

Elementorum Naturae 2017| Fotografia: Entheogen Fotografia Alternativa | Mappig: VJ Bang (leia a entrevista a um dos Vjs mais reconhecidos da cena aqui)

Como chegou  a trabalhar com bioconstrução e decoração de cenografia?

BS: Meu primeiro contato com a cenografia foi dando auxilio em alguns trabalhos da Arte Astral.

Nesse meio tempo trabalhava com arte de rua, estudava artes plásticas em um ateliê improvisado na garagem de casa, até que chegou um momento que deixei a arte de rua e resolvi me dedicar unicamente as artes plásticas, permacultura e cenografia. Foi um processo natural de muito trabalho e estudo.

Logo que comecei a trabalhar independentemente, tive apoio de uma produtora de Santa Catarina, L3 Produções .

Fotografia: Rafote

Já no meu primeiro contato com um festival percebi que queria contribuir para aquela história.

Senti que aquele ambiente era propicio para arte porque as pessoas estavam abertas a receber informação e que aquilo iria talvez influenciar o futuro, pois era um ambiente que a arte falava livremente sobre profecias, deuses, alienígenas, ancestralidade.  

Elementorum Naturae 2016 | Fotografia: Rootts Arte e Cultura

A partir disso refleti onde eu me encaixaria nisso tudo e comecei levar a serio meus estudos em desenho, escultura, cenografia e bioconstrução até desenvolver minha própria identidade.

Elementorum Naturae 2016 | Fotografia: Rootts Arte e Cultura

Sempre fui autodidata, no inicio era bem difícil, ia só pelo material. Fazia tudo no improviso, não tinha nem grana pra ferramenta, já cheguei até mesmo pagar pra trabalhar, só pra poder mostrar meu trabalho.

Elementorum Naturae 2016 | Fotografia: Rootts Arte e Cultura

Tive apoio do meu irmão e do meu primo que tinha uma Kombi e levavam minhas esculturas pros festivais, mas ninguém ganhava nada, era só entrada e as vezes uma consumação. Quando voltava dos festivais tinha que ir pro semáforo trabalhar pra poder pagar o aluguel. Com muito esforço fui ganhando espaço no mercado e sendo mais valorizado.

Elementorum Naturae 2016 | Fotografia: Rootts Arte e Cultura

Em quantos festas e festivais já tem participado?

BS: Não sei quantos exatamente mas entre 40 e 50

Vibe Trip 2016 | Galhos e reciclados

Algum deles/delas foi mais marcante? Por que?

BS: O que mais marcou foi o Tempo é Arte que trabalhei por 3 anos. Era uma parada diferente, ia alem de um avento, era mais um laboratório de amigos criando uma celebração farta em arte psicodélica.

Tempo é Arte  2016 | Fotografia: Entheogen Fotografia Alternativa  | Barro, palha, bambu, tela, jatu e pinha

Tem alguma fonte de inspiração específica? 

BS: Tenho muitas inspirações que vai além da cenografia e dos festivais como Pablo Amaringo, Allan More, Broll Jhow,  TIM Burton, Moebius.

No Name 2015

Quais são os principais materiais usados nas suas criações?

BS: Atualmente trabalhamos mais com materiais orgânicos como barro, bambu, madeira e materiais encontrados no local.

Zepa 2014 | Fotografia: Dante Lobo

Como começa um novo trabalho? 

BS: Todos os projetos são criações da Nhanderu. As vezes nos sugerimos algo e outras vezes o produtor da um tema e a gente elabora o projeto em cima.

Cyclus,2016 | Fotografia: Rafael Atz

Quanto mais ou menos é o tempo necessário para chegar no resultado final?

BS: De uma semana a 15 dias de processo criativo no local em tempo integral, faça chuva ou faça sol. Isso sem contar o desenvolvimento do projeto em casa que leva em torno de uma semana pra criação de maquete, planilhas de custos de materiais, logística da equipe, etc.

Zepa 2014 | Fotografia: Dante Lobo

O que mudou ao longo do trajeto? 

BS: Creio que tanto publico como produtores tem valorizado mais a importância da cenografia, das artes visuais...Antes se investia tudo que tinha em line e o que sobrava ia pra cenografia, isso quando o produtor não fazia ele mesmo uma "gambiarra pra quebrar o galho’". Agora boa parte dos produtores já separam um orçamento digno pra cenografia e os que não fazem isso tão ficando pra traz, pois a cenografia junto da fotografia da uma garantia de futuro pro evento.

Kaya Babilônia Festival 2015

Na sua opinião,  sente que o trabalho de bioconstrução e decoração é justamente valorizado dentro do movimento?

BS: Ta havendo uma melhora rápida em ralação a valorização por parte dos produtores, acredito que por conseqüência do crescimento da cena nacional, pela constante evolução que buscamos em nossos projetos e pela credibilidade que temos conquistado no meio. Trabalhamos serio, prezamos pela qualidade, segurança e inovação, sempre criamos algo único e buscamos trabalhar com produtores que também prezam por isso. Assim como os produtores escolhem quem querem contratar nós também podemos escolher que propostas aceitar. Garantimos nosso trabalho e se o produtor não valoriza optamos por não trabalhar com ele.. simples assim.

Kundalini Festival 2015 | Fotografia: Matias Allendes Medeiros - Psyshoots

Investimos em estudos, ferramentas, manutenção do veiculo e damos sempre o melhor, esperamos o mínimo  de dignidade para trabalhar.

Viking Festival 2017

Alguns pensam que o trabalho do artista é brincadeira, que é fácil... Pagam o padeiro, o pedreiro, o jardineiro, etc... mas quando se fala em pagar o artista agem como se não fosse um trabalho de fato.

Elementorum Naturae 2017 | Fotografia: Mushpic | Colchão velho

O que espera para o futuro da cena?

BS: Espero que a cena cada vez prospere em diversidade de arte, que tenha mais artes visuais, teatro, dança, galerias, instalações, vídeo maping mas sem perder a qualidade das artes sonoras. Espero também que os produtores parem de achar que só porque vem de fora é ‘’melhor’’. Tem sim muita coisa boa vindo de outras partes do mundo, mas também temos ai um produto nacional de alta qualidade que merece seu devido valor.

Amon Rá 2017

Qual é a sua meta profissional com Nhanderu Artes?

BS: Aprimorar nosso trabalho focando mais na permacultura, no orgânico, na reciclagem e na redução de consumo, construir trabalhos fixos que possam ter uma utilidade para o dono do local após o evento. Que possamos cada vez mais desenvolver técnicas que permitam uma utilização consciente dos recursos do planeta, pois tudo que cresce e que não é sustentável não vai progredir nesse Novo Tempo. A cena cresce mais a cada dia e é necessário se mantermos atentos ao rumo dessa história.                   

 Ritual Anaychay 2016 | Fotografia: Pamela Martins

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