Descrição

    APRESENTAÇÃO

    Marco Aurélio Soares: Organismo de Busca

    A arte de Marco Aurélio Soares (Sorocaba, 1989) parece buscar uma mestiça síntese, um místico ponto de equilíbrio não-dualista entre diversos aspectos dicotômicos de nosso modo de ser e experimentar a vida, atento a um só tempo à Natureza e à Cultura, à memória e à imaginação, ao Ser e ao Tempo, criando obras apenas aparentemente simples, porque diretas, simbólicas, alcançam uma dificílima fusão de sujeito e objeto — sujeitobjeto?

     

    Seu universo visual complexo carrega invariavelmente uma estética orgânica, de figuração marcante, com traços fortes e cores vivas, que atua através de amálgamas e contrastes, de sutilezas e brutalismos não mais contrários, mas ali em sinérgica conjunção, remetendo a uma imagética muito original, talvez mesmo à nossa mágica “Imago Originária”. Alcança isso por uma contemplação participante, que medita sobre nossa condição ontológica e metafísca, e que atua artística e politicamente no mundo, com um olhar lúcido e atento a si mesmo e às formas arquetípicas dos seres vivos e das coisas da vida, sempre em busca de uma representação possível daquilo que em tudo vive, do que é a Vida, que, invariavelmente transitória, é por isso mesmo tão frágil quanto poderosa em sua mais perene iconicidade, desde a perspectiva demasiado humana com que necessariamente a apreendemos em suas constantes metamorfoses. Assim, aponta para novos modos em aberto de experienciamos ser parte da sociedade e da natureza, que, para o artista, perfazem o meio por excelência para sentir e criar sentido; sua forma de eleição para influir e se deixar influenciar livremente pela plasticidade dos modos viver, com atenção simultânea à seus aspectos de beleza e estranheza.

     

    Mais do que se expressar, Soares nos expressa quando desenha, pinta, tatua ou grafita em suportes tão variados quanto um muro de fábrica abandonada ou o corpo humano. Sua arte é de um primitivismo psicodélico que nos remete à arte rupestre, dita primitiva — resgatada aí em diálogo com as representações sagradas dos povos tradicionais de todas as várias culturas que formam a sociedade brasileira atual —, mas aqui com uma roupagem contemporânea urbana,  adaptada às ruas e em interação com o espaço público dos grandes centros urbanos como o de Sorocaba, cidade onde o artista nasceu e vive, e na qual, muitas vezes apressados, sempre de passagem, costumamos nos deparar com suas obras, levando algo delas conosco. Soares criou um idioma visual simultaneamente pop e arcaico, jovem e ancestral, atemporal, com tanto de art brüte art naïf quanto de street art e rave culture, uma simbiose que parece apontar que, entre o passado remoto das pinturas das cavernas e a projeção futurista da ciberpsicodelia, há um um elo perdido, um link que pode ser encontrado agora e aqui — agoraqui. Tudo está presente, será Presença.

     

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