
Os festivais brasileiros tomam um formato de festas multiculturais e os pais especialmente devem prestar atenção já ao nome do evento e analisar sua proposta, pois tem energias de todo tipo e muitas vezes não são bons locais aos pequenos.
Nesse sentido, um festival multicultural não se enquadra em nenhum outro. Cito o exemplo do Rock Rio, que apesar de ser um festival enorme, com cantores famosos e um público gigantesco, não oferece muito além de música, enquanto que no psytrance podemos encontrar uma grande diversidade de terapias e cura, rodas de conversa, palestras, oficinas, performances e claro, o espaço kids, do qual quero falar hoje.
Fotografia: GemeosVB Fotografia
O psytrance já não é um género tão novo; muitos dos seus amantes já são pais (alguns até avós!) e o desejo de compartilhar a vivencia com os filhos, abre caminho para a criação de espaços onde eles sejam devidamente atendidos, com um pessoal dedicado ao seu bem-estar, com brincadeiras acordes e onde os valores desta (contra) cultura na qual acreditamos possam ser passados.
Samsara Festival. Fotografia: Gordon Eszter
RevelliOZ. Fotografia: Carolina Moraes Fotografia
Universo Paralello Festival. Fotografia: Coletiva.a.mente
Diferente de qualquer outros encontros de música eletrônica e além dela, os festivais estão cada dia mais se tornando espaços familiares, onde levar os filhos e ficar acampado poderia ser cômodo, desde que o festival tenha estrutura e respeito.

Fotografias: GemeosVB Fotografia
Pessoalmente, quando não vejo crianças em um festival, sinto que pelo menos 30% do brilho total que o evento poderia ter não é alcançado (isso vale para os festivais que não se importam com cuidado das crianças e o suporte aos pais, pois já vivenciei eventos que planejam esse espaço e por algum motivo as famílias não compareceram com seus pequenos).

Fotografias: GemeosVB Fotografia
Se não fosse pela legislação, poderia perfeitamente ocorrer sempre, pois todos presentes teriam cuidado com isso e o clima é maravilhosamente gostoso. A atenção dada as crianças é o mais belo do nosso universo!.

Fotografias: GemeosVB Fotografia
O espaço kids na edição de 2017 do Terra azul ferveu com os pequenos, é até cuidados com bebês e atenção específica estavam dispostos ao público.
Oficina de pintura livre Terra 2017. Fotografia: Mushpics Fotografia
O Coletivo Prajah – Espaço Tempo é Arte é a equipe que proporcionou a oportunidade de expor algo que só havia planejado. Esse pessoal possui uma didática e uma estrutura ao qual nunca me deparei. Foi no Kundalini de 2016 que pude contribuir com a sabedoria dos pequenos.
Pela primeira vez o projeto Soma da Existência – Sol&Terra estava sendo executado. Depois eu e minha esposa repetimos no Terra Azul 2017, cito ele pois foi onde teve mais criançada. Até então o espaço kids era uma área ao qual nunca havia pisado.
O projeto foi um insight que tive. Momento onde, a questão primordial foi como poder colaborar com tal local, já vinha trabalhando no Centro de Referência e Assistência Social (CRAS) com o projeto Horta Semeando Conhecimento, onde grande parte da ideia saiu, e com vistas ao fim do projeto estava com toda essas ideias fervendo, a vontade de continuar, a vista carente de atividades nos espaços e então nasceu tudo isso.
CRAS- Tijucas SC – 2014.
Trabalhei toda metodologia necessária para não apenas “cuspir informação” como nossa educação é realizada normalmente, e sim propiciar um momento em que as crianças possam realmente absorver o conteúdo. Tendo noção de como a vida do jeito que a conhecemos é montada e proporcionada.
Nasce este momentum onde os participantes se tornam buscadores. Quem acha um tesouro jamais esquece. Os resultados são surpreendentes:
Participante Virgilio transpassando o que aprendeu.
O Projeto consiste em trazer ao conhecimento deles toda a dinâmica do reino vegetal, como as plantas se multiplicam e quais suas estruturas para tal realização. Entendido como elas se propagam avançamos ao seu desenvolvimento e funcionamento de toda maquinaria biológica de forma que é passada na Botânica pesada das acadêmicas.
Soma da Existência- Terra Azul Festival 2017.
É onde tudo fica interessante, pois temos a noção da energia solar e o que ela despende nos vegetais, como e onde e porque isso age, buscamos, cortamos e VEMOS através do microscópio aquilo que quanto mais avançamos mais ficamos sabendo. O Projeto necessita sempre de um Data Show mas todo o resto carrega consigo, usamos o quadro, lupas e conversamos muito, e assim conhecimentos “ avançados” são absorvidos pelos pequenos.
Para verificação da absorção é ministrado trabalho com massinha de modelar atóxica, onde damos mais uma reforçada em tudo. Podem optar por desenhar também.
Arthtur. Soma da Existência- Kundalini Festival 2016.
Fico extremamente grato pelo resultado de algo que foi minuciosamente calculado, e o melhor é o feed back destas crianças cristais.
Oficina de pintura livre Terra Azul Festival 2017.
Ao participar desta forma o festival toma outro sentido para mim; é melhor que qualquer outro não pelos benefícios de se trabalhar, mas sim por estar somando e fazer parte de algo maior, onde ao final o que vemos são famílias reunidas com crianças, espaços de cura tratando dores no corpo, discutindo acontecimentos e ações que trazem um crescimento interno, o que vemos ao final, é o Verdadeiro Trance acontecendo !
Origens Festival. Fotografia: Religare Ars
E mesmo quando não estou participando, estou ali por perto sorrindo e vendo outros belos trabalhos. Isso tudo, essa egrégora, é minha casa, é meu lazer, é meu crescimento, isso é Trance.

Ozora Festival. Fotografia: Murilo Ganesh
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