Djalus – Decoração & Bioconstrução Nacional

Donos de um estilo próprio e muito característico, o projeto Djalus é reconhecido em grande parte pelas suas construções orgânicas, criadas a partir de elementos autóctones. 

Nas palavras dos idealizadores, “Djalus” é um conceito tibetano que pode ser traduzido como “corpo do arco-íris” algo semelhante ao que no Ocidente é conhecido como o corpo astral.

A história do casal chileno-argentino, hoje radicado no Brasil, parece breve em relação à magnitude do seu sucesso: faz apenas dois anos que produzem projetos grandes na cena do psytrance nacional, mas já chegaram pisando forte. Sem dúvida ainda ouviremos muito falar deles e seremos testemunhos da evolução da sua arte. E por isso, que fica aqui nossa 5ª homenagem a expressão artística das almas por trás da decoração psicodélica.

Valorize a ARTE, leia, desfrute, compartilhe!  width=

 width=Rocío e Juan, Djalus | Fotografia: Interfaces

Como chegaram a trabalhar com bioconstrução e montagem de cenografia no Brasil?

 A gente tinha explorado um pouco do Land art na Faculdade de Artes, mas o desenvolvimento foi aqui no Brasil mesmo. Chegamos como voluntários em eco-aldeias e diversos festivais, pelo simples fato de viver a experiência. Não  imaginávamos que íamos levar nossa arte para os eventos.

No ano 2016 fomos convidados para desenvolver um projeto próprio no Zuvuya e foi muito bem recebendo. Foi a primeira vez que materializamos algo com o que já vinhamos sonhando: o real sentimento de família. Foi uma oportunidade de mostrar realmente do que somos feitos e qual é nosso lugar nesse fractal de co-criação no qual estamos inseridos. Sentimos que naquele momento todos os sentimentos que o psychedelic atrai tomaram forma física. E partir dali as portas foram se abrindo e fomos convidados para trabalhar em outros festivais.

 width= width= width=Zuvuya  2018. Em colaboração com o Rodrigo Miranda e  Surya Ecoart | Fotografias: Coletiva.a.mente

{ Confira a preview da última edição do
Zuvuya Festival 2018: Uma olhada a um clássico do psytrance brasileiro }

 

Vocês já tinham uma formação em arte, mas como foi o processo de aprendizagem para constituir a identidade criativa do Djalus? Tiveram a colaboração do pessoal daqui?

Sim, o processo é uma mistura de técnicas que já vimos trabalhando durante nossa formação em Belas Artes, o que  temos aprendido com grandes amigos e mestres da caminhada, e claro, muita experimentação também.

Poderíamos mencionar alguns momentos e colaboradores decisivos: a Aldeia Outro Mundo, foi um lugar de muita exploração e aprendizados; o equipe da Surya Ecoart, com quem temos vários projetos em conjunto; o Rodrigo Miranda, um artista visionário com quem trabalhamos e admiramos muito; também o projeto Free Optics, que tem nos demonstrado que levar o arte da psicodelia a serio é possível…Em fim, tem muita gente com quem compartilhamos a criação e temos aprendido muito além do profissional.

 width= width=Samsara Festival  2017. MDF, tecido e madeira. | Fotografias: Coletiva.a.mente

Lembram em quantos festivais já participaram?.

Sim, foram  26 até agora. Em 2011 começamos com o Earthdance (Córdoba, Argentina); em 2012 fizemos Festribal (Bahía Blanca, Argentina) e no réveillon desse ano fizemos Año nuevo (Isla del Sol, Bolivia).

Em 2014 estivemos no Tripantu Festival (Lago Colbún, Chile) e  em 2015 também. E nesse ano, 2015,  chegamos em alguns eventos brasileiros como Ritual Añaychay (Curitiba, Brasil), Shanti Festival (Curitiba, Brasil),  Chakaruna (Belo Horizonte, Brasil) e Magga (Serra da Canastra, Brasil).

Em 2016 tivemos alguns festivais maiores como o Zuvuya Festival (Luziania , Brasil), e o Pulsar Festival (Cachoeira Alta, Brasil), também fizemos Floresta “Sete Flechas” (Mogi Guaçu, Brasil) e  Ritual Psykovsky (Cachoeira Alta , Brasil).

Na virada do 2016/2017 estivemos no Revellioz (Aparecida, Brasil) e já depois  o 2017 foi um ano com bastante trabalho, participando do Mundo de Oz (Aparecida, – Brasil),  Mo:dem Pre Party (Lagoinha – Brasil), Pulsar Festival (Cachoeira Alta – Brasil), Samsara (Uberlandia – Brasil), Forest Family (Brasilia – Brasil),  Pachamama Festival (Altinopolis – Brasil) e o Katayy Festival (Analandia – Brasil), finalizamdo no Universo Paralello (Pratigi – Brasil).

O 2018 começou bem, primeiro com o Zuvuya Festival (Luziania -Brasil), Pachamama Especial  (SP – Brasil), Shiva Ohm  (Andradas – Brasil) e esse mês fizemos o palco da mainfloor da Origens Gathering (RS – Brasil).

 width=  width= width=Origens Gathering 2018. Madeiras, galhos, tecido e MDF | Fotografias: Gustavo Merolli

Bastante diversidade! Algum deles foi mais marcante? 

Bom, o Zuvuya foi o portal para nós, o inicio de um caminho; o Pulsar abriu novas oportunidades e posicionou nosso projeto dentro da cena do psytrance brasileiro e o Mundo de Oz foi importante porque eles acreditaram na gente para fazer nosso maior projeto até agora e nos ensinar que trabalhando com amor os sonhos são conquistados!

 width= width= width=Mundo de Oz 2017 | Fotografias: Coletiva.a.mente

“A experiência do Mundo de Oz foi muito linda.
Trabalhamos durante meses em cultivos de trepadeiras, hortaliças e plantas ornamentais, que depois incorporamos ao projeto”
Djalus

 width=  width=  width=Detalhes.

Conseguem visualizar algo que tenha mudado ao longo da sua trajetória? 

Cada festival traz um monte de aprendizados, tanto no plano humano quanto no profissional. Mas não podemos visualizar realmente a mudança que tudo isso significa porque ela é um processo continuo. Cada dia apresenta uma nova missão e uma nova oportunidade de crescimento.

 width=Pulsar Festival 2017 | Fotografia: Mushpics Fotografia width= width=Pulsar Festival 2016 | Fotografias: (2ª) – Rodrigo Della Fávera, (3ª) – Mushpics Fotografia

Nas suas criações vemos que predomina o land art, uma linha da arte contemporânea na qual a paisagem e a obra estão intimamente relacionadas. A Natureza como instrumento e material para se intervir a se mesma, certo? Tem alguma fonte de inspiração específica?  

Sim, a nossa técnica principal e o land art, onde conseguimos aplicar  o que temos aprendido sobre bioconstrução em eco-aldeias da América do Sul e a modificação da paisagem com elementos próprios dele. Também trabalhamos com pintura; a nossa inspiração são as artes visionárias e experimentais. Geralmente a inspiração vem de nossas jornadas psicodélicas e o nosso contato com a Natureza. A busca por entender os padrões universais que encaminham e formam parte de uma consciência coletiva e de uma linguagem que logre nos conectar com esse fluxo, por vezes  esquecido.

 width= width= width=ReveillOz 2016/2017  | Fotografia (2ª) : Marcio Cursino Photographer

Quais são os principais materiais usados nas suas criações?

Madeira (galhos), que coletamos do chão do lugar onde vamos trabalhar  (e devolvemos após a celebração). Essas madeiras são sempre a essência do processo criativo de nosso trabalho e por isso elas determinam que o resultado final seja um grande mistério. Na busca de uma criação orgânica, a gente trabalha com uma ideia, um conceito e a forma final dela necessariamente dependerá do material que o local oferece. Também usamos tecidos, MDF e pintura fluorescente, através das quais trabalhamos a nossa simbologia e a identidade de cada festival.

Buscamos criar um equilíbrio entre as formas do lugar e as entidades não físicas que cuidam dele.

 width= width= width=Esculturas de galhos, Pulsar Festival e no ReveillOz | Fotografia (1ª):  Coletiva.a.mente

Como é a relação entre seu processo criativo e a produção do evento?

As vezes a produção tem uma ideia bem clara do que eles querem, então levamos esse conceito à obra com a nossa interpretação. Em outros eventos, somos convidados a apresentar nosso projeto sem maiores sugestões ou limitações criativas. Sempre é um equilíbrio entre o conceito do festival e as ideias que fluem, chegando no resultado final entre 3 dias (nosso record) até 1 mês, dependendo do tamanho do projeto.

 width= width=Shiva Ohm 2018. Parceria com Surya Ecoart.

{ Releia a matéria sobre uns dos primeiros coletivos de bioconstrução:
SURYA EcoArt – Decoração & Bioconstrução Nacional }

 

Vocês acham que o trabalho de bioconstrução e decoração é justamente valorizado dentro do movimento?

Sim, sendo de fora, somos muito gratos pelo recebimento do nosso trabalho aqui, tivemos muitas experiências positivas e gostamos muito do público do Brasil. As vezes a galera pode não dimensionar o que significa levar a psicodelia a sério, mas estamos no caminho de construir uma cena cada vez melhor e mais profissional. A gente faz o que tem que fazer com o maior amor possível, porque é a nossa responsabilidade com um processo interno, maior. Então, realmente o reconhecimento no é tudo para gente.

 width= width= width=  Forest Family 2017

É possível adquirir a sua arte para quem não forma parte da produção de um evento?

Sim, além de projetos de bioconstrução e jardinagem, nos dedicamos também ao arte digital, pintura, escultura, e design. Podem ver nossos trabalhos na nossa fanpage ou no instragram.

 width= width=Pachamama Special Dark Whisper e Ogoun. MDF e pinturas. Parceria com Surya Ecoart.

E para finalizar, vocês tem alguma meta profissional em particular que queiram compartilhar com a gente?

Estamos abertos aos desafios que o Universo traz para nós e esperamos poder honrar eles. Não vemos nossa caminhada como uma profissão, acreditamos fortemente que e uma eleição de vida, pelo que não temos um objetivo a seguir. Se trata de uma série de vitórias pessoais que nos abrem caminhos pra novos encontros e oportunidades.

 width=Mo:dem Pre Party Brasil 2017 | Fotografia:  Coletiva.a.mente width=Pachamama 2017 | Fotografia: Lucas Caparroz Films width=Pulsar Festival 2017 | Fotografia: Interfaces

*

Para saber mais sobre cenografia psicodélica,
confira outras matérias do nosso ciclo de entrevistas
Decoração & Bioconstrução Nacional:

SURYA EcoArt  width=
Nhanderu Artes  width=
Espaço Libellula  width=
Especial Mimesis (ES) width=