Universo Paralello: a história do maior festival de Trance do Brasil

A primeira pedra

BRASÍLIA, ANOS 80s.

A capital moderna criada a partir dos sonhos de JK, uma Brasília das curvas de Niemeyer, já tinha uma cena roqueira iniciada, comandada por jovens que bebiam Baré Cola, um refrigerante pertencente a AmBev, nos sabores tuti -fruti, guaraná e noz-de-cola.  Uma geração em oposição à geração Coca-Cola, e eles eram diferentes mesmo: eram rebeldes em suas atitudes e em sua música. Mas no cerrado, as coisas começaram a esquentar mesmo foi na segunda metade dos anos 70/80, quando os ventos da liberdade política (a anistia dos presos políticos) e musical (o punk rock) começaram a soprar. Pinçamos nessa história uma pequena mas importante banda, a banda chamada ‘A Primeira Pedra’, que tinha como guitarrista o nosso personagem central: Juarez Petrilho.

Foto: banda Primeira Pedra.

Criado em uma família de intelectuais da esquerda que o ensinou a gostar de jazz e música clássica, numa época de utopias políticas, o ensinaram também a admirar teorias socialistas, se tornando ao crescer um jovem sonhador, cineasta e roqueiro de mente fervilhante.

Este estava tendo seu primeiro contato com um novo tipo de som que até então era considerado desagradável, como a música eletrônica soava aos ouvidos curtidos ao molho do bom e velho rock n’ roll. Estas músicas, que chegavam na cidade pelas mãos de amigos vindos de algumas partes do mundo e começava a ser tocada em festas em embaixadas e raves ilegais, em toda a cidade onde tivessem pessoas dispostas para dançar aqueles sons malucos.

Na metade dos anos 90, a Capital do Rock (tendo bandas como Aborto Elétrico, Legião Urbana, Capital Inicial, e Plebe Rude) foi abrindo tendas de música eletrônica em festas de rock e os dois gêneros, como acontece muito na história, se enamoraram mais uma vez, agora em terras tupiniquins. E logo uma iniciante cena de raves ao som do Trance também surgiu em vales e cachoeiras do Distrito Federal. Porém não foi ali que Juarez sentiu o forte poder do Trance…

O Trance bateu

Foi numa temporada em Amsterdam que de fato o Trance bateu de uma forma especial em seus ouvidos, corpo e alma. A viagem foi originalmente realizada com o intuito de passar um tempo com seus filhos, que lá moravam com a mãe, a DJ Ekanta Jake Peres, e os gêmeos Alok e Bhaskar (nomes que vieram da doutrina Bhagwan Shree Rajneesh, também conhecido como Osho –  o filósofo indiano que prega a liberdade individual, a oposição à autoridade e a busca do autoconhecimento através de técnicas de meditação).

Osho e seus seguidores em culto.

O nome dos filhos veio de uma carta enviada da Índia após o tio de mesmo nome, Alok (Dario Ashkar Petrilho), preencher um formulário. Osho acredita que abrir mão do nome de batismo e ter um nome de poder, garante uma libertação do passado e o início de uma nova vida recheada de muito conhecimento interno. Os gêmeos, que lá moravam com a mãe, receberam o Juarez para ficar um tempo com a família, e claro, curtir tudo que Amsterdam tem a oferecer. E foi nessa provocativa cidade holandesa que finalmente o nosso cineasta teve contato direto não só com o som, mas também com a cultura Trance. A cena eletrônica holandesa, a frente com rádios, clubes, raves e festivais tocando para todos os gostos, em eventos gratuitos e pagos que já contavam com nomes como Tiesto e Armin van Buuren, entre outros que também mais tarde se tornaram super DJ’s (como o próprio filho Alok). Juarez voltou de lá renovado, com o Trance já disputando espaço com o rock em seu coração.

Gêmeos Alok e Bhaskar Petrilho.

Nos anos seguintes (1997/1998) Juarez e amigos começaram a produzir também pequenas festas de Trance psicodélico, chamadas de Universo Paralello. Feitas principalmente para um público que surgia e não tinha pilha para fazer um longo rolê até Trancoso, onde o Trance rolava solto principalmente na virada do ano.

Há anos, um amigo de Juarez que tinha uma enorme fazenda em Goiás, sonhava em transformar aquele lugar, repleto de belezas naturais e exuberantes, em um espaço de lazer e cultura alternativa. E um clique mais tarde veio a mente de Juarez e seus amigos.

Com a morte do dono da fazenda, esse clique veio a se materializar na virada do milênio (1999/2000), ano em que os jornais espalhavam o pânico sobre um tal “bug do milênio” que iria parar computadores em todo o mundo, brecando uma geração inteira. O bug não veio, mas algo de extraordinário realmente aconteceu com essa nova geração a partir de agora, cada vez mais conectada e tecnológica.

Começos: A Primeira Gota de UP no Cerrado

Em 2000 a primeira edição do Universo Paralello, em formato de festival, foi organizada para o réveillon na Fazenda Água Fria, na Chapada dos Veadeiros, centro-oeste do país. Eram 3 dias de festa, paz, amor e música, sem sites ou flyers, sem divulgação que não fosse o boca-boca. Uma festa entre DJs e amigos de Brasília e Goiânia, que ganhou corpo quando a galera de São Paulo, DJ Mack, Tati, Joe e outros, empolgados com a ideia, trouxeram consigo uma turma grande de São Paulo. A festa explodiu reunindo 700 sortudos. E foi um marco na cena Trance do cerrado.

Já a segunda edição, no réveillon de 2001/2002, realizada na Fazenda Veredas (Alto Paraíso – GO) teve duração de 5 dias ininterruptos de chuva e um festival que sobreviveu na raça, com a produção funcionando a plenos vapores debaixo daquele temporal.

Na terceira edição, na virada de 2002 para 2003, o país já começava a enfrentar uma onda conservadora, de guerra às drogas e  às raves, o que fez o festival se mudar de novo e ir para a Fazenda São João em Teresina de Goiás (GO). Dessa vez não foi a natureza que tentava barrar a sua realização: Com alvarás negados e pressão de grupos religiosos contrário ao festival se reunindo para acabar com a festa, deram um trabalho extra à produção que, por fim, por luta e por vitória, aconteceu aos trancos e barrancos.

O dilúvio

Uma das lendas mais fantásticas dos povos sumérios foi a Epopeia de Gilgamesh. Possivelmente a obra literária mais antiga já produzida pelos seres humanos, escrita em 2.700 a.C. Esta epopeia é conhecida graças à descoberta de uma placa de argila escrita em caracteres cuneiformes em ruínas da região mesopotâmica, sendo traduzida por volta de 1890 d.C. Segundo ela, em tempos remotos os deuses haviam decidido submergir a terra de Shuruppak, mas que ele, pela sua devoção, havia recebido ordens de construir uma arca no meio do deserto e abrigar seus familiares, amigos e os quadrúpedes e aves de sua escolha. Utnapishtim – o heroico sobrevivente de uma grande inundação -, assim o fez e, depois de seis dias e seis noites, salvou as pessoas e os animais, conseguindo em troca a imortalidade. Com certeza você já ouviu falar de algo parecido. Sim. Esse é o mito que mais tarde entrou no gênesis da bíblia como Noé e sua epopeia.

Então talvez por isso chovesse. E chovia tanto durante o festival, que todo o trabalho da produção foi desafiada a se afundar na lama que ainda assim, erguia seu povo alegre e dançante embaixo das lonas de circo armada nas pistas, complementadas por decoração extremamente psicodélica e fluorescente.

#UP2 – 2001/2002.

Com as primeiras edições sendo um sucesso, apesar dos contratempos, os irmãos Dario e Juarez, que já tocava como DJ Swarup (nome também de origem na filosofia sannyasin – nome ofertado aos discípulos do indiano Osho), começaram a programar a nova edição do Universo Paralello. Mas aonde?

#UP3 – 2002/2003.

A Nave abandona o Planalto Central

Pois foi assim! Por ordem da natureza e de um novo chamado da mesma, dessa vez seguindo Iemanjá – a rainha do mar. Traumatizados pela insegurança jurídica das festas e festivais em fazendas de Goiás e realização indesejada pelo povo local, o festival saiu em busca de novo ares, e uma série de acontecimentos mágicos os levou até a então desconhecida praia de Pratigí, inexplicavelmente oculta por muitos anos do circuito turístico do paradisíaco litoral ao sul de Salvador.

Amparado inicialmente por anfitriões mais que especiais, o Dr. Érico Leite e Ângela Cardoso – proprietários das áreas cedidas para a realização do evento – aos poucos a população do município percebeu o caráter positivo do festival proposto, transmutando uma desconfiança inicial em uma profunda adesão e apoio.

Foto: Praia de Pratigí, Bahia.

E se tem algo que você sempre verá em toda edição do festival, é um altar para Iemanjá. Protetora desse organismo vivo e pulsante que desabrocha atualmente de dois em dois anos, -uma forma de tomar fôlego, respirar,  e se recriar a cada novo realinhamento intergaláctico.

No ano de 2003 para 2004 finalmente o Universo Paralello estreou nas terras de Ituberá, um município brasileiro do estado da Bahia, local originado de uma Aldeia de Índios que chegaram na região no século XVIII. Atualmente com uma população em torno de 30 mil habitantes, situa-se na Região Litoral Sul da Bahia e é conhecida por ser a “Capital das Águas” do Baixo Sul, devido a sua abundância hídrica e suas belíssimas cachoeiras. Situada também na Região Turística que se chama Costa do Dendê, onde estão englobadas belas praias como a paradisíaca Pratigí.

Nesse mesmo ano, junto com Gustavo Manfroni (Burn in Noise) e Dj Zumbi (Nevermind), Swarup, também formou o Live The First Stone, lembra, uma referência direta a sua antiga banda de rock e que hoje é um dos mais respeitados projetos brasileiros.

O festival foi mais uma vez um divisor de águas, tendo transcorrido durante sete dias e sete noites sem nenhum incidente. Eu estava lá com minha primeira excursão, a primeira saindo de Niterói (RJ), com a minha equipe Conexão PSY. Alugamos na época um ônibus de luxo, com área para fumantes, uma sala no fundo do ônibus, um frigobar lotado de bebidas e partimos por 1500 km até Pratigí, por 30 horas de viagem e insanidades a bordo com mais outros 50 amigos e conhecidos.

Lá presenciamos uma praia deliciosamente deserta que antes era escondida por uma rótula avisando de que você é bem vindo à Pratigí, e era ali que finalmente se pegava o último transporte até o camping na orla da praia, através de um caminhão com bancos nas laterais da caçamba. Você tinha que comprar uma pulseira de translado que dava direito a infinitas viagens de vai/vem de Pratigí até o fim do festival. Nesses caminhões você, cansado de viagem, sobe se segurando em algo, se joga e curte o brusco balançar do vai e vem de caminhões que fazem e refazem esse percurso. A cada caminhão que passava por nós, batíamos palmas um para outro, acenávamos e gritávamos de emoção de chegar ali e por tudo que ainda viria.

Levei na mochila um pacote de cigarros e outro de Neosoro, 2 protetores solar fator 60 (pois sou tão branco quanto o Garparzinho) e todo o resto era um amontoado de apetrechos. 

Chegar à um festival como Universo Paralello, na praia, numa fazenda de coqueiros, com 40 km de litoral e natureza inexplorada, foi um encanto mágico, palavra que merece ser repetida mais vezes nesse artigo. Vimos o Swarup abrir o set com a música “Índios” e sabe o que aconteceu? Enquanto os índios cantavam choveu depois de um longo dia ensolarado e a chuva terminou exatamente com a música, como se tivesse vindo para nos refrescar. E acho que foi depois disso que inventaram os dispersores de água que vagueiam sobre a pista, refrescando a galera.

O que foi aquilo? O que tinha tomado nesse momento? Não sei. Mas os coqueiros também não estavam normais, pois eles dançavam rebolando até o chão, os meus átomos se misturavam ao do dancefloor e eu derretia dançando junto com eles, fazendo movimentos impossíveis de serem repetidos, pois eram espontâneos. Daí me liguei que a vida realmente se produz como a dança e a música: em ritmos, oscilando e flutuando em compassos lógicos e paradoxais, em instantes de ordem e instabilidade, silêncio e algazarra, arranjos e dissonâncias.

No Egito iniciático, a dança tinha caráter sagrado. Existem muitas outras histórias mitológicas a respeito da dança… Réa salvou seu filho Zeus de ser morto por Cronos, o pai da criança, sapateando para abafar o choro da criança. Na ilha de Creta era possível materializar a Deusa Mãe fazendo-se uma dança circular que levava ao Êxtase. É vasto o registro da dança como aquele que vive o momento, que se entregam ao presente, o momento sagrado do agora.

Vai tomar um banho amigo. Você já está a três dias acordado dançando.”  Foi a última frase lógica que me lembro depois da magnífica explosão de fogos e toda a decoração flúor ativadas no modo encantamento e sedução. Enquanto vagava sozinho à noite por caminhos que sempre me levavam à pequenos lugares mágicos, com pessoas mágicas, alternativas, alegres e divertidas. Era difícil pensar em banho, na real. Era muita coisa te atiçando para ser vista, admirada. Lembro de ter sentido um enorme abraço cósmico.

O portal que se abria diante dos nosso olhos, parecia vindo do filme “A Praia” com Leonardo DiCaprio, e a chegada e despedida de mais um ano que despontava entre o povo mágico. Era algo realmente classificável honestamente como imperdível. E pela praia a noite se via toda uma trupe de bruxos, elfos, magos, gnomos, ogros, mãe d’água, curupira, mula sem cabeça, lobisomem, boitatá, boto, o saci-pererê e muitos outros que se deslocam de suas residências para viver durante 7 dias e 7 noites, uma aventura entre uma dobra no tempo e outro. É tempo de desventuras paralelas.

No final do filme “A Praia”, eles dão nome ao paraíso em que eles viveram como
Universo paralelo”.

Não tenho a informação oficial mas pelo o que eu senti, cálculo que umas 2000 pessoas viveram ali. Presenciaram o espetáculo que foi aquele festival, com um dancefloor (lembro bem), com umas 500 pessoas ouvindo o impecável live do Protoculture, artista da África do Sul.

Voltamos de excursão da Bahia para o Rio e espalhamos as boas novas: tem um festival imperdível rolando anualmente na Bahia que é de tirar o fôlego de qualquer um. Vocês precisam conhecer. Acho que todos faziam isso depois de voltar de uma UP. Mas o boca-a-boca dessa vez era acompanhado de fotos e vídeos em redes sociais como Orkut, MySpace, Flickr, Youtube, que transmitiam a imagem daquele lugar ser um paraíso na Terra. Nos anos seguintes, todos queriam voltar lá com a gente ou com as dezenas de equipes de excursão armadas em todos os cantos do país. Foi o ponto de partida para a criação e expansão das excursões, um novo mercado que estava se abrindo e sendo explorado.

Um Universo em constante expansão 

O ano 2004 já estava explodindo em festas e festivais por todo o país, inspirados não só pelo Universo Paralello, mas era ele que detinha a melhor e maior virada de ano.

Na virada do ano de 2004 para 2005, foi realizada a quinta edição do festival. Pela primeira vez na história do festival, ele se realizava no mesmo local do ano anterior. Com um sólido apoio e adesão da população local e autoridades, e com a experiência adquirida nos anos anteriores em relação às peculiaridades do local, foi possível expandir com sucesso a infraestrutura do evento, permitindo assim receber um público recorde na história dos festivais brasileiros, até então.

Edição #5 – 2004/2005.

A quinta edição deste festival de 7 dias marcou a estreia do Circulou, que segundo os organizadores é “um palco multicultural, uma vitrine para diversas manifestações da cultura brasileira dentro do festival, são oficinas, atividades com circo, dança, musica, teatro, palestras, debates e círculos de estudo”. 

Nessa edição o festival consolida então o apoio recebido pela população local, e também fica marcada por uma grande presença de público estrangeiro no evento.

O ano de 2005 foi particularmente traumático para a cena brasileira. Foi um ano marcado pela popularização e consequente comercialização do Psytrance no país, trazendo sérias consequências para festas e festivais, que brotavam por todo o Brasil. A reação da sociedade conservadora, estimulada em seu preconceito por festas raves (e para eles festivais não eram mais que raves de vários dias), não demorou em impactar o movimento. A repressão policial passou a ser rotina, com delegacias de polícia instaladas de forma provisória dentro dos eventos, tornando o Trance um assunto recorrente nas páginas policiais. Casos de repressão e abusos de poder eram relatados em praticamente todos os estados do país.

Neste contexto, de dúvidas e apreensão, foi realizado o #UP6. Para surpresa de todos, o que se viu foi o total respeito à cidadania (palavra chave do evento) e liberdades civis. Transcorrendo na mais perfeita harmonia, o festival contribuiu para que nossa acuada tribo re-erguesse a cabeça e re-afirmasse seu sagrado direito a celebração, de forma pacífica e ordeira. Foram 7 dias de paz, amor, união e respeito (o legítimo P.L.U.R!). O festival foi marcado também por uma série de ações sociais junto à comunidade carente de Ituberá, realizadas antes, durante e depois do festival. Um grande afluxo de público estrangeiro consolidou o caráter internacional do evento.

Edição #6 -2005/2006.

De 2006 para 2007, veio o Universo Paralello #7 , um festival novamente marcado pela incrível harmonia entre o público do evento e a população local. Recebendo um público absolutamente recorde para os padrões de festivais brasileiros, conseguiu atingir seus objetivos, ao manter, mesmo sobre uma incrível pressão, todos os aparelhos do evento funcionando até o término do mesmo. Desde a limpeza da área, a água nos chuveiros, a limpeza dos sanitários, passando pelos vários sistemas de som do festival, às oficinas e atividades do Circulou, tudo funcionado até o fim, a despeito de alguns momentos de rush no uso de chuveiros ou caixas, tornando o UP#7 um verdadeiro aprendizado para as equipes do festival.

Edição #7 – 2006/2007.

Já na oitava edição do UP em 2007 para 2008, foi marcada por uma série de experiências inovadoras e bem sucedidas. A começar pelos cinco espaços musicais colocados à disposição do público. A estreia da Pista Goa, na realidade uma pista temática que foi palco de um dos mais memoráveis momentos na história recente do Psytrance, quando na sua abertura se apresentaram artistas das antigas, mostrando o Trance produzido nos primeiros momentos do movimento. Com outras quatro pistas funcionando impecavelmente, todas oferecendo climas e atmosferas apropriadas para os mais exigentes ouvintes.

Edição #8 – 2007/2008.

O participante Helio Mesquita relembra que; “Uma conhecida foi picada por um escorpião e a galera ficou bem apreensiva porque logo começaram a aparecer outros”. Apesar do susto, ele nos conta do encanto que foi a virada do ano no festival: “A virada de ano foi bem marcante pra mim em todos os aspectos. As pessoas de branco caminhando pela praia na escuridão, o ritual indígena e lembro de vários momentos olhar e ver as pessoas emanando uma energia tão incrível que foi uma experiência transformadora para mim. Lembro de várias atrações, mas em especial tenho alguns que marcaram: o Neelix e o Liquid Soul que uniram a pista num movimento lindo; Ajja e Pedra Branca, que também foram incríveis e claro, a apresentação do DJ e amigo Roosevelt, que me encheu de orgulho.”

A participante Ártemis Amarantha nos conta uma aventura que viveu para realizar o sonho de conhecer o festival: “No UP #8, eu tinha 20 anos e fui na aventura. Juntei os poucos reais que ganhei no natal e me fiei na promessa de que meu nome estaria na porta porque uma mãe de uma amiga conhecia um DJ que ia tocar e ela disse que tinha enviado meu nome…. Fui eu, com 350 reais no bolso, e só a passagem de ida. Depois de 30 horas de ônibus… meu nome não tava na porta. Me vi dentro do festival com 50 reais no bolso e sem passagem de volta. Contei com a solidariedade de muitos amigos que conheci. Mas lá pras tantas, eu conheci um hippie chamado Beatles. A gente acabou ficando no penúltimo dia e eu passei a noite toda com ele. Contei minha história pra ele como quem não quer nada e ele fez a proposta: viaja comigo. Eu pensei ‘que isso doidão?!, te conheci hoje’… mas foi o que eu fiz. Despachei todos os meus amigos pro Rio de volta e me vi em Ituberá, acampada na praça com todos os hippies do festival. Essa viagem durou 2 meses de venda de trampos, dormindo na rua e um saldo de umas 20 cidades paradisíacas conhecidas. Beatles me levou de volta pra casa e me entregou na mão dos meus pais em Petrópolis”.

Edição #8 -2007/2008.

Tendo que botar em prática os aprendizados dos anos anteriores, o UP #8 ofereceu infraestrutura considerada ótima ao público presente. Amplas sombras nas pistas disponíveis, posto médico altamente equipado e capacitado, banheiros e chuveiros adequados, bares ágeis e praça de alimentação com uma proposta de excelente qualidade nos produtos oferecidos.

Edição #8-2007/2008.

O público geral do festival mereceu citação honrosa à parte. Com público estrangeiro recorde, percorremos os quase 10 dias de evento, novamente sem qualquer incidente significativo.

Porém quando os participantes mais velhos de festivais são perguntados sobre o público que o festival tem atraído ao longo do tempo, a resposta não é um consenso, apesar que todos coincidem em que o crescimento do Universo Paralello foi o principal fator transformador. Para a participante Alessandra Davecchi, as mudanças também foram decorrentes do direcionamento de investimento para um ou outro palco: “Como todo evento que tem como principal objetivo o lucro, naturalmente ele cresceu, e com isso o público. Não acredito em uma mudança de público, mas como em qualquer evento, quanto mais pessoas participam mais eclético se torna. É claro que o festival mudou, hoje vejo mais foco para pista UP Club (um dos nomes que já teve) do que a Pista Principal … sinto falta de quando era uma Pista Alternativa que tocava sons alternativos e não uma boate com um público AAA”.  Nesse sentido, a participante Charlayne Primo, coincide: “Sim, cresceu bastante. Notei um grande investimento no UP Club e um grande destaque aos artistas de low no último festival. Particularmente não gosto muito, mas considerando que é o estilo musical mais em alta no momento, e que o filho do dono (o DJ e produtor Alok) é talvez a principal estrela dessa constelação, acho compreensível”. Já para o psicólogo Gustavo Oliveira o crescimento é; “Inevitável visto a popularização da música eletrônica. Acho que o número de freaks e hippies se manteve comparado com o grande aumento no número de novos freqüentadores. Acredito que o festival esteja mais profissional agradando a todos.”  Para o participante Helio Mesquita, a mudança também tem haver com a evolução do cenário eletrônico no mundo: “Acho que o universo eletrônico mudou muito e acabou abrangendo muitos outros públicos e como consequência o festival também mudou. Sinceramente não sei dizer se isso é bom ou ruim porque acredito que mudanças são sempre bem vindas. Meu primeiro grande festival foi um aprendizado enorme como ser humano porque estava rodeado de gente incrível e conheci outros também incríveis. As experiências pessoais são muito relativas e o festival não é responsável desde que exista um esforço para manter seu público seguro e confortável dentro desse universo, daí cabe a cada um dar o seu melhor para manter o festival como um verdadeiro universo paralelo, cheio de experiências surpreendentes”. 

Na virada do 2008 para 2009, veio então a nona edição do UP, já mais que consolidado na cena trance nacional e internacional. Por onde se passava pelo festival se escutava de todas as línguas e sotaques. Era uma delícia poder trocar ideia com gentes de todo o mundo, unidos só pela mesma linguagem musical e estilo livre de vida.

O psicólogo Gustavo Oliveira, foi a duas edições e destaca a UP#9: “Gostei muito dessa edição, me passou a impressão que apesar das diferenças, todos nós estávamos juntos na experiência de transcender na pista. Achei a infra estrutura muito boa, parecia uma cidade montada no meio do nada. As minhas pistas preferidas foram a Goa e o Chill Out.  A Goa parecia outro planeta com som mais psicodélico, pesado e cheio de freaks. Vi um live do Penta e Total Eclipse memoráveis. O Chill Out era lindo parecia um leque onde as pessoas iam se abrigar do sol e relaxar. Achei o público bom, pessoas de todas as partes do mundo unidos pelo trance. O único problema foram os roubos de barraca, que começavam a  ficar mais comuns,  mas por sorte não aconteceu nada com a minha nem as dos meus amigos”.

Contratempos inesperados

Na décima edição, de 2009 para 2010 o público foi apresentado a um novo terreno, mais ao lado do antigo, porém um pouco distante do local anterior. Um pedaço lindo de praia, que na maré baixa se formavam várias lagoas e ilhas. Com a água do mar quentinha, você podia caminhar por um bom tempo que ela batia tranquilamente no seu joelho.

Edição #10 – 2009/2010.

Porém nesse ano, algo falhou. Imaginem pessoas chegando de todo canto do mundo, carregando malas e mochilas, embaixo de um sol incandescente, alegres por terem chegados, mas cansados, doidos para tomar um banho e pum!: Não tinha água. Como assim não tem água nos chuveiros? Não tem!

A falta de água veio para marcar essa edição. As pessoas tentavam se banhar nas águas do mar. Alguns levavam shampoo, condicionador, sabonete e se banhavam ali mesmo. Isso no primeiro dia, mas logo aquilo virou um caos. O mar foi poluído de tantos químicos levados por tanta gente nos kits de banho.

A participante Alessandra Davecchi que foi em 5 edições do festival na Bahia, destaca sobre o conjunto das edições: “Meu primeiro Universo Paralello… sim, nunca antes tinha esperado uma sensação tão grande de liberdade, de poder ser EU, simples assim. Porém a minha visão foi mudando com a experiência. Hoje vejo que a produção sempre cometem os mesmos erros básicos, como falta de água, bebidas caras e quentes, e um lineup cada vez mais comercial que acabou me afastando do festival”.  Ela relembra com pavor a décima edição: “A edição na Praia do Garcês não teve água nem para banho de Português” e com isso ela conclui: “Foi o maior perrengue que passei em alguma edição do festival UP. No primeiro dia tudo é festa, mas depois a solução foi sair do festival e buscar água nas proximidades, tendo que arcar com mais um custo no intuito de ao menos manter a higiene”.

Sobre essa edição, o psicólogo Gustavo Oliveira destaca: “Preferi o festival passado. A infra deixou a desejar, faltou água e as pistas ficaram muito afastadas. Apesar disso o Circulou nesta edição estava com uma estrutura muito boa. O mainfloor estava muito bonito e maior e a Pista 303 era um bom refúgio do mainfloor.  Eu tinha uma alta expectativa com a estrutura do Chill Out, mas na minha opinião a decoração deixou muito a desejar. Como acontece em muitos festivais, a decoração está pensada para ser favorecida pelas luzes, então a noite ficava um pouco melhor. Apesar disso pude ver um live fantástico do The Peaking Goddess Collective.  E sobre o público, era muito maior e pior que na outra edição. Apesar que o festival tinha muitos tranceiros e freaks, a minha impressão era que muita gente nunca tinha ido a um festival, não se viam como integrantes do movimento como um todo e sim como meros consumidores.”

“O participante Hélio Mesquita comenta com bom humor: “Achei divertida a falta de água. Foi bem engraçado ver a galera desesperada por água pra tomar banho com um mar e um rio disponíveis”.

Aquela viagem de fato se transformou num rascunho do pesadelo tanto do público quanto da produção. Mas, assim que começaram a ligar as pistas, o inconformismo foi passando, a água voltando em tempos fracionados e o rascunho do pesadelo se tornando em uma nova e brilhante aventura. Na verdade a região tinha sofrido longos meses de estiagem, e assim, os lençóis freáticos (que em Pratigi já se vê cavando 70 cm, se encontrando água) foram secando ou ficando mais fundos, se tornando uma desagradável descoberta para a produção que teve que se virar nos trinta para fazer as bombas hidráulicas levarem água a todo o festival.

Foi um perrengue? Foi! Mas foi legal? Não, foi maravilhoso! E desde então ele passou de acontecer todos os anos a acontecer de dois em dois anos.

Momentos memoráveis do #UP10 a partir do minuto 2.11

Edição # 10 – 2009/2010 | Fotografia: Rodrigo Della Fávera & Camila Albano.

Nas novas edições, 11, 12 e 13, o festival chegou a atingir um público estimado em 20 mil pessoas, dois terços da população de Ituberá, vivendo em harmonia por 10 dias acampados de frente para o mar e curtindo agora não mais 2 ou 5 pistas, mas sim 7, sendo Mainfloor, UP Club, Palco Paralello, 303 Stage, Tortuga, Chill Out e Circulou.

Edição # 11 – 2010/2011

Edição # 12 – 2012/2013

Edição # 13 – 2015/2016 | Fotografia: Coletiva.a.mente.

Edição # 14 – 2017/2018 | | Fotografia: Coletiva.a.mente.

Curiosidades

ANTIGOS VOOS

A participante Charlayne Primo que foi em 3 edições, revela um fato engraçado agora mas que na hora foi trágico: “A minha amiga caiu do paramotor na pista do UP Club no dia mais movimentado – no final da apresentação do Electrixx e início do Felguk. Ela virou um ‘meme’ do festival e depois disso acho que nem teve mais voos no evento. Foi um grande susto” – relembra.  Ao ser questionada sobre algum perrengue que passou, ela é pontual: “Vários, quase 10 h esperando pau de arara e entrada, dificuldade para conseguir lugar para acampar, sede, calor, cansaço… Com o tempo a gente vai aprendendo as lições. Agora levo o mínimo de coisas e vou direto para o último camping, atrás do UP Club”.  Sobre música nos revela que jamais vai esquecer as apresentações de Neelix e Criolo no UP12 e Astrix e Infected no UP14.

#UP14

PRAIA LIMPA

A verdade é que o festival cresceu em todos os sentidos, o mundo mudou, mas o que poucos sabem é que o festival sempre teve uma preocupação com o ambiental, trabalhando junto do Ibama local. Eles montam uma usina de reciclagem dos resíduos produzidos no evento que funciona diariamente em paralelo ao festival. Em todas as suas edições, o Universo Paralello, ao final de suas atividades, deixou a praia mais limpa do que estava quando do início da montagem do festival.

REDUZINDO DANOS

O Coletivo Balance também atua no festival desde que ele aportou em Pratigi e costuma promover testes químicos para aferir a qualidade de pílulas, selos e comprimidos trazidos pelos participantes. É uma iniciativa do projeto de Redução de Danos. A tenda situada entre a praça de alimentação e o posto de saúde, se dedica a amparar usuários de drogas. Uma faixa define seu propósito: “S.O.S. Bad Trip!” . É um grupo especializado em Redução de Danos, abordagem que busca minimizar o impacto das drogas sem necessariamente combater seu uso.

Na última edição, o grupo mobilizou um contingente de 36 terapeutas e 7 coordenadores, que se revezaram em três turnos diários de atendimento. Com sombra e água fresca à disposição do público, a tenda acolhia usuários que iam até ali por conta própria ou eram encaminhados pelo posto médico.

O psicólogo Gustavo Oliveira trabalhou no S.O.S Bad Trip e conta um pouco como tudo funciona: “A maior parte da equipe era formado por psicólogos, médicos, farmacêuticos e pessoas que tem um grande conhecimento sobre drogas psicodélicas. Antes de ir para o festival me enviaram um material para poder estudar e me auxiliar no trabalho. Atuávamos em três áreas. A primeira era com informação, fazendo palestras, cursos, distribuindo cartilhas sobre as substâncias e seus efeitos, fazendo teste de pureza em mdma, ecstasy e cocaína. A segunda era um S.O.S Bad Trip para auxiliar as pessoas que tivessem bem fisicamente, mas sofrendo com uso de alguma substância. O terceiro era posto médico onde iam os casos mais graves”.

O Coletivo Balance foi formado em 2006 por Marcelo Andrade, professor do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia. Em seu doutorado, ele frequentou festivais de música eletrônica em Salvador e outras cidades e investigou o consumo de drogas nesse ambiente. Constatou que a busca pelos estados alterados de consciência é inerente ao comportamento humano, e que as leis que proíbem as drogas não bastam para inibir esse impulso.

Em contra partida social, calcula-se que o festival empregue direta e indiretamente 3000 pessoas. Incluindo os habitantes, onde uns entram para a equipe de produção do festival (sendo capacitados para isso) e outros que investem o ano inteiro em hospedagem, locação de casas, bugres, quadriciclos e preparativos para se ter uma barraca dentro ou fora do evento. Isso foi a chave para o festival ser abraçado pela população local, pois o impacto econômico dos turistas que chegam para curtir o festival é considerável.

Coletivo Balance.

O futuro

A participante Ártemis Amarantha alerta para o crescente número de furtos a barraca no festival e dá dica de como se proteger: “Os objetos de valor eu colocava no guarda volumes. Sempre acampei mais pra perto de passagem movimentada pra não ter esse problema. Já ouvi coisas como cortar a barraca de canivete, mas nunca presenciei nada”. E da o recado para a produção: “Acho a infra do festival incrível, mas acho que não se pode mais usar banheiros químicos no meio da praia, na Bahia, num calor infernal, no verão, pra sei lá quantas mil pessoas”.

O próximo festival será na virada de 2019 para 2020 e vai celebrar 20 anos desde seu nascimento na Chapada dos Veadeiros. Terão sido 15 edições, sendo 12 delas na Bahia.  Será realizado entre os dias 27 de dezembro de 2019 e 03 de janeiro de 2020, na Praia de Pratigí, é claro. Estarei lá, mais uma vez, com a excursão Conexão Psy, que partirá desde  São Paulo, Niterói e Rio de Janeiro.

Sabemos pouco sobre o processo interno de produção do festival. Mas sabemos que a logística incluirá a limpeza de pelos menos 180 vasos sanitários, e esse número se ajusta de acordo com o número de ingressos postos à venda. É um desafio que consome meses, porque eles também são sincronizados com os bares e regido pela escalação do line-up. Pois se sabe que algumas atrações atraem mais pessoas do que outras, então não é legal ter 10 pessoas limpando banheiros ou vendendo no bar sobrecarregados, em uma pista bombando, enquanto a outra está mais vazia por causa de atrações artísticas divididas, com headlines intercalados com apresentações menos concorridas. Então tudo tem que ser calculado de acordo com as apresentações artísticas, criando grupos de trabalho proporcionais.

As pistas e decoração antes de se materializar também são criadas em pequenas maquetes. E somente headlines recebem cachês, a maioria das atrações são contratadas e pagas com ajuda de custo em fichas de consumação para todos os dias do festival, mais o transporte ida e volta.

O line-up é muito democrático e aberto para receber djs iniciantes que encontram nos palcos da UP uma vitrina para se expor ao mercado.

Como vimos, o público também foi mudando com o tempo, e de alguma forma isso acabou se refletindo na vibe geral. Antigamente a galera que ia no Universo Paralello era mais conectadas ao ideal hippie: tomavam banhos nus, mulheres fazendo topless em qualquer parte do festival, o sentimento era de respeito, proteção à natureza,  de dançar desengonçadamente como se ninguém estivesse te vendo, de poder deixar um par de chinelo na pista com suas coisas e encontrar novamente no outro dia intacto, no mesmo local. Hoje se criou um clima de desconfiança e aumentou o número de roubos a barracas. É triste aceitar que muitos vão para o festival fanfarrear, surtar, pagar mico, dar trabalho à produção e destruir a imagem de uma tribo rica em pluralidade, porém avessa a figura do fanfarrão, que só chega para consumir e usar o festival como válvula de escape. 

O cartaz, traz na sua arte a figura de um pavão psicodélico. O que nos dá uma dica de decoração, talvez uma pista central montada abaixo de um pavão pousado. É para viajar mesmo. O pavão significa muita coisa no simbolismo de várias culturas e crenças, na iconografia cristã, por exemplo, o pavão simboliza a eternidade e a imortalidade. É a ave de cem olhos, a ave do deus Krishna, o qual utiliza as suas penas no lugar dos seus cabelos, tal como a deusa da poesia, da música e da sabedoria – Saraswati – também carrega um pavão.

A ave também é referenciada no Budismo, que diz que a capacidade de o pavão comer o veneno das cobras se assemelha à possibilidade de transformar o mal no bem. No Islamismo, por sua vez, os pavões recepcionam as almas nos portões do paraíso. Na prática do xamanismo, o pavão é um animal de poder evocado na cura psíquica cujo intuito é propiciar atitudes de coragem e dissipação de medos. No budismo tibetano, o pavão simboliza o bodisatva, aquele que transcende os venenos emocionais como a raiva, o ciúme, a inveja e é capaz de viver entre as “pessoas comuns”, ajudando-as a alcançar a iluminação, sem se deixar contaminar pelo mundo.

Chegamos ao fim de uma longa jornada mergulhando fundo na história do festival Universo Paralello. Tenho uma enorme gratidão pelo portal ter me convidado para montar esse texto, afinal são 10 anos vivendo intensamente esse festival. O que me dá muito prazer ao poder escrever sobre ele!

Então…até breve, nos vemos na próxima edição do Universo, para celebrar 20 anos da história que tentei condensar aqui para vocês! 🙂

 

 

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gugaquchoa
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gugaquchoa

Sensacional descrição… pude reviver muitas das experiências da minha primeira UP, a última edição. Mesmo que ainda sejam poucas experiencias, compartilho muito da visão sobre o festival e sobre o que o movimento prega desde sua origem, ainda consigo enxergar uma gota de esperança na adaptação e evolução do convívio entre as tribos, Mesmo com uma pequena parcela agindo de forma contrária ao que me fez ficar apaixonado pelo Trance. Gratidão pelas palavras e até a próxima edição! Forte abraço!!

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