As viagens da consciência (Neuropsy): Ayahuasca (II)

Os mitos sobre a ayahuasca proliferam conforme cresce a sua popularidade. Há um amplo espectro de dúvidas e possibilidades, desde os fundamentalistas, que asseguram que a ayahuasca cura até o câncer, passando pelos céticos que acham que é apenas uma moda, até os temerosos, que dizem conhecer gente que “não voltou mais”.

O que é fato e o que é folclore? Como formar uma opinião crítica em meio a tanto conhecimento anedótico? Na primeira entrega deste novo espaço, Neuropsy, exploramos as bases neuroquímicas da ayahuasca.

{ Pode conferir a matéria aqui:
 As viagens da consciência : Ayahuasca (I) – Neuropsy  }

Nesta segunda entrega, a proposta é dar uma olhada ao estado dos paradigmas e pesquisas científicas, que discutem a aplicação da ayahuasca como alternativa terapêutica para diversas condições psíquicas (como depressão, adições, stress-post traumático), e até como uma nova abordagem para a estimular o desenvolvimento de novos neurônios.

Jordi Riba: 20 anos de pesquisa psicodélica

O nome  Jordi Riba (Barcelona – Espanha, 1968) tem ficado popular nos últimos tempos, especialmente desde que o jornal Rolling Stones o inclui na lista das 25 pessoas mais influentes no futuro da ciência moderna em 2017.

 width=Jordi Riba.
“Segui meu caminho, apesar do ceticismo, dúvidas, críticas e
obstáculos, porque entendi que o que eu queria investigar
era interessante o suficiente .

O reconhecimento é devido as conquistas do grupo de Neuropsicofarmacologia do Instituto de la Investigación Hospital de Sant Pau, o qual é liderado pelo farmacólogo catalão, que desenvolve há mais de duas décadas pesquisas vinculadas aos processos neuroquímicos por trás da ayahuasca.

Por acaso, na década dos 90’s, Jordi conheceu algumas pessoas que traziam ayahuasca desde o Brasil e organizavam pequenos rituais em Barcelona e Madrid. O cientista esperava encontrar um clima lúdico e descontraído, como na maioria das práticas vinculadas ao consumo de drogas, porém o que acharia ali marcaria para sempre o curso da vida do pesquisador. 

Numa entrevista para La Vanguardia, Jordi declarou: “Percebi que a partir da experiência subjetiva da ayahuasca, as pessoas entravam num estado de introspeção, onde pareciam recuperar lembranças emocionais  com grandes cargas emotivas, em forma de visões, similares aos sonhos. Isso parecia ser muito revelador, pois os ajudava a revisar alguns aspectos da sua própria biografia, sem perder a consciência de que aquilo era produzido pela infusão que tinham bebido antes”. 

A experiência pode ser abrumadora, pois para muita gente significa um novo caminho para enfrentar e se sobrepor certos traumas acumulados ao longo da sua vida.

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Em outra entrevista para a Open, – uma fundação independente que estimula a pesquisa sobre possíveis aplicações terapêuticas das substâncias psicodélicas -, Jordi salienta que o fato da substância ter um uso cultural, não apenas recreativo, chamou poderosamente a sua atenção: “Tinha toda uma religião baseada no poder psicoativo da planta, por tanto, as culturas evoluíram em torno do uso dela por muitos séculos. (…) Se eu conseguia entender o mecanismo bioquímico, poderia então advertir à comunidade científica sobre o uso da ayahuasca como um possível tratamento“. 

Vem se aceitando que existe uma série de substâncias com má reputação, mas que utilizadas num contexto adequado, com uma finalidade concreta e com uma população específica, podem ter efeitos benéficos para a saúde.

Porém, ainda existe um pouco de ceticismo com essa linha de pesquisa: “O estigma é grande por ser algo psicodélico, psicoativo, hippie (…) O caminho foi solitário entre 1996 e 2005 (…) Eu estudo a o principio ativo que produz as visões da ayahuasca, a dimetiltriptamida (DMT), mas o mesmo também se aplica para a psilocibina e o recentemente para o MDMA, o principio ativo do êxtase (…) Depois que começaram a aparecer estudos com psilocibina nos Estados Unidos, na melhor escola do pais, a do John Hopkins as coisas estão mudando (…) Quando você prova biologicamente com dados objetivos que esses compostos estão atuando da mesma forma que os antidepressivos, cuja função clínica é aceita,  a comunidade científica começa a te olhar diferente ” – declarava Jordi numa das entrevistas.

 width=Dois dos compostos que estão presentes na liana.
As beta-carbolinas tem efeitos neurogênicos muito potentes.
Ph: Ian Cuming (Getty).


Aplicações terapêuticas

Pois bem, vinte anos mais tarde a ayahuasca tinha ficado extremamente popular e as pesquisas com substâncias psicodélicas serotoninérgicas estão crescendo. Em vários laboratórios ao redor do mundo estão se explorando e discutindo cômo essas substâncias que interagem com o cérebro, e qual seria seu potencial uso no tratamento de diferentes condições psiquiátricas.

O poder antidepressivo da ayahuasca 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que no mundo mais de 350 milhões de pessoas sofrem de depressão e cerca de um terço delas não responde ao tratamento com pelos menos três tipos de antidepressivos (Palhano-Fontes et al., 2017). 

Segundo Osório et al. (2015), uma das teorias sobre a origem da depressão, assegura que a doença é causada por um desbalançamento nas monoaminas cerebrais como são a dopamina, noradrenalina e especialmente, serotonina, principal responsável pela sintomatologia depressiva.

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É sabido que os sintomas relacionados à ansiedade, pânico e depressão são significativamente atenuados pelos antidepressivos,  baseados nas descobertas dos anos 50′ (os inibidores da MAO, IMAO ou os tricíclicos) quanto os baseados nas pesquisas da década dos 80′ (ISRS, inibidores da recaptação seletiva de serotonina). Todos eles apresentam um perfil de eficácia e um mecanismo de ação similares (modulando as monoaminas cerebrais antes mencionadas) e usualmente demoram pelo menos duas semanas para que apareçam indícios de efeitos antidepressivos.  

O  fato das preparações de ayahuasca conterem alcalóides que inibem tanto a recaptação de serotonina quanto a enzima MAO (já explicamos brevemente esse processo na matéria anterior, confira aqui), sugere que a bebida pode atenuar estados emocionais regulados pelo sistema serotoninérgico

Sabendo disso, os pesquisadores do  Instituto do Cérebro  (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN) experimentaram com 29 voluntários com graves transtornos depressivos, resistentes aos tratamentos convencionais. Os resultados foram surpreendentes. Os pacientes que se submeteram à ayahuasca, tiveram melhora significativa apenas um dia depois de beber a infusão, quando comparados àqueles que participaram da sessão com uma substância placebo (Palhano-Fontes et al., 2017).

Numa entrevista com o jornal eletrônico Super Interessante (2017), os investigadores desse projeto declararam: “Alguns dos nossos pacientes relataram que, durante as quatro horas que passaram sob os efeitos agudos da ayahuasca, se sentiram da mesma forma que se sentiriam após um ano de psicoterapia. Outros disseram que não gostaram da experiência com a ayahuasca pelos mesmos motivos que não gostam de fazer psicoterapia“. 

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No estudo de Palhano-Fontes et al. (2017), se descobriu que uma única sessão de ayahuasca em pacientes com depressão, aumentou o fluxo sanguíneo em regiões cerebrais implicadas na regulação do humor e emoções, como são o núcleo accumbens, a ínsula  e a área subgenual (área 25 de Brodmann).  

Se nos comparamos com outros grandes símios (gorilas, chimpasses e bonobos), uma das características que nos diferencia é uma grande expansão da zona média do lobo  parietal. Neste sentido, Jordi aponta que há evidência crescente de que exista uma correlação entre essa parte do cérebro e pensamentos do tipo “negativo“.

Após passar o efeito agudo da ayahuasca, a zona parece ser desativada! Jordi salienta que depois que diminuem os efeitos agudos da ayahuasca, se observa uma queda na tendência à constante auto-avaliação, auto-crítica e auto-julgamento.

 width=Lobo parietal do cérebro humano.

A partir de um estudo com ressonâncias magnéticas funcionais (ou seja, observando a estrutura e função do cérebro), se evidenciou que 24 h após o consumo da ayahuasca há uma diminuição na atividade da área medial do lobo parietal, que está diretamente associada ao que seria a percepção íntima de você mesmo. No cérebro deprimido, esta área está em estado de hiperatividade, se relacionando diretamente com pensamentos do tipo obsessivo e “negativo”.

Nas duas últimas décadas, as avaliações da saúde mental dos consumidores regulares de ayahuasca demonstraram função cognitiva preservada, aumento do bem-estar, redução da ansiedade e sintomas depressivos quando comparados aos consumidores não-ayahuasqueiros (Palhano-Fontes et al., 2017).

Além disso, um estudo recente mostrou que uma dose única de ayahuasca melhorou as capacidades relacionadas à atenção e concentração plena, o que poderia ajudar a entender mais sobre os efeitos antidepressivos da ayahuasca, uma vez que as práticas de meditação também têm sido relacionadas com efeitos antidepressivos (Segal et al., 2010).

 width=Imagem: Alex Grey

Então, a ayahuasca pode ser utilizada como um tratamento complementar? Mais serotonina = mais felicidade?

Definitivamente não. É importante destacar que não é recomendado beber ayahuasca enquanto estiver sob tratamento com antidepressivos, pois existe a possibilidade de desenvolver uma  síndrome serotoninérgica. 

O acúmulo excessivo de serotonina na fenda sináptica (causado pelas Beta-carbolinas da ayahuasca) pode produzir tremor, diarréia, instabilidade autonômica, hipertermia, sudorese, espasmos musculares e possivelmente morte.


Adições
e a reconexão do cérebro?

A utilização terapêutica da ayahuasca em casos graves de adições à cocaína e heroína tem mostrado bons resultados. 

Essa aplicação é especialmente interessante se pensamos que não existe um tratamento eficaz para a dependência à cocaína, além do sintomático: se o paciente fica ansioso, recebe benzodiazepinas, se tem um surto psicótico serão receitado antipsicóticos, ou se seu estado de animo oscila muito, se administram então reguladores do humor.

Jordi relata que foi observado um abandono de práticas autodestrutivas em pacientes que beberam a infusão entre 6-10 vezes. 

Como isso é possível?

Os estudos de Jordi demostram que após administrar ayahuasca em cocainômanos, se observaram mudanças na estrutura do cérebro: se reforçam as conexões das áreas do cérebro que buscam gratificação constante, e ao mesmo tempo, se evidencia uma desconexão daquelas que nos ajudam a valorar e julgar uma situação e reconhecer os perigos. ” Sabendo isso, a mudança de vida parece obvia: o cérebro tem se reconectado!” aponta Jordi.

 width=Imagem: Symbolika

A ayahuasca possui propriedades que sugerem que pode apresentar potencial terapêutico na recuperação de indivíduos usuários de álcool.

Nesse sentido, um estudo de Grob et al. (1996), observou-se que os indivíduos que faziam abuso de álcool anteriormente a se unir a uma congregação religiosa como a União do Vegetal (UDV), tiveram completa abstinência após a afiliação, apresentando diminuição ou ausência de reações crônicas de raiva, agressão, ansiedade e ressentimento. (*Porém, as informações relacionadas ao uso de álcool podem ter sido prejudicadas uma vez que a UDV proíbe que seus membros usem qualquer outra substância psicoativa).

Entretanto, os outros parâmetros avaliados como agressão e a “procura pela novidade” diminuíram significativamente no grupo de usuários de ayahuasca, quando comparados com grupo controle (não ayahuasqueiros)  e com os resultados de outro estudo realizado com usuários de ácido lisérgico (LSD) (Halpern & Pope, 1999 apud Pires et al., 2010).


Stress post-traumático
(PTSD)

A popularidade da terapia com ayahuasca tem despertado o interesse até de militares traumatizados gravemente pela vivência durante a guerra, como é o caso de alguns soldados dos Estados Unidos. Porém, segundo Jordi, os estudos não evidenciaram melhoras nesses casos extremos.  


Últimas descobertas: Ayahuasca e a formação de novos neurônios 

Num estudo conduzido no marco das pesquisas do Porgrama Beckley/Sant Pau e com a colaboração do Consejo Nacional de Investigación da Espanha, os cientistas acharam que a harminae o tetrahydroharmina, os alcalóides presentes em altas quantidades na ayahuascapromovem o nascimento de novos neurônios a  partir das células-tronco, e estimulam o crescimento e maturação dos neurônios jovens.

Por um longo tempo,  o dogma da neurociências assegurava que nenhum neurônio novo nascia nos cérebros dos mamíferos adultos. Desde o final da década de 1990, esse paradigma tem sido desafiado por evidências experimentais.

O nascimento de novos neurônios, conhecido como neurogênese, ocorre em duas áreas cerebrais: em torno dos ventrículos e numa região do hipocampo.

 width=O hipocampo está vinculado à memória, neurogênses,
percepção espacial e a inibição da conduta.

O hipocampo desempenha um papel fundamental em importantes tarefas cognitivas, como aprendizagem e memória. Sua função diminui com o processo normal do envelhecimento, mas muito mais dramaticamente na presença de certos distúrbios neurodegenerativos devastadores, como por exemplo, a doença de Alzheimer.

Embora os resultados sejam preliminares, eles mostram que a adição de harmina e tetrahidroharmina ao cultivo de células-tronco neurais estimulou a sua diferenciação e maturação em neurônios. (* Porém, perceba que os cultivos celulares são apenas as fases iniciais de uma pesquisa biológica. Para assegurar que esse processo acontece de fato no cérebro humano, é preciso replicar o experimento em mamíferos e com um número de repetições suficiente para ser submetido a testes estatísticos para avaliar a sua eficiência).

Numa matéria publicada por nossos parceiros da Sociedelic a respeito deste assunto, Jordi explicou esses avanços com imagens. 

O que você está vendo embaixo é uma “imagem estática” tomada após vários dias de tratamento das células-tronco com os diferentes compostos.

Inicialmente, o cultivo não apresentava nenhum  neurônio antes de se adicionar : a) solução salina (água + sal); b) harmina; e c) tetrahidroharmina.

a) A primeira imagem é o controle, quando somente água salgada (solução salina) é adicionada aos cultivos celulares. Os núcleos das células-tronco podem ser vistos em azul. Essas células-tronco foram tratadas com solução salina por vários dias e apenas algumas se desenvolveram em neurônios jovens (os poucos pontos verdes na imagem).

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b) A segunda imagem mostra os resultados após vários dias de tratamento com harmina: o azul ainda está presente porque é um marcador de núcleos celulares e todas as células possuem núcleos (células-tronco e neurônios).

As manchas verdes são os neurônios jovens marcados com a coloração Tuj1 (esta coloração é Beta-tubulina classe III específica, ou seja, seletiva para os neurônios), evidenciando  neurônios recentemente criados.

As manchas vermelhas mostram neurônios mais maduros. A coloração marca a Proteína 2, associada aos microtúbulos (MAP-2), cuja presença aumenta durante o desenvolvimento do neurônio

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c) A terceira imagem mostra os resultados obtidos após vários dias de tratamento com tetrahidroharmina. O significado das cores é o mesmo.

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Resumindo:

-As imagens sugerem que a ayahuasca poderia levar a uma nova abordagem no tratamento de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

-Os dois compostos contidos na liana, poderia estimular a proliferação do número de células mães e a sua migração, para se integrar em circuitos cerebrais preexistentes onde se transformariam em neurônios funcionais

Porém, a velocidade com esses novos neurônios são produzidos nos cérebros dos mamíferos adultos é baixa e ainda existe a dúvida de se seria possível compensar a perda neural de uma doença neurodegenerativa ou os déficits congnitivos. Ainda não temos resposta para isso.

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Riscos, tolerância e dependência 

Do ponto de vista farmacológico, a ayahuasca parece não produzir dependência fisiológica, nem induzir mudanças corporais crônicas capazes de desencadear tolerância. A DMT é essencialmente não-tóxica para os órgãos do corpo e não produz dependência fisiológica ou comportamentos associados com a ela (Guimarães dos Santos, 2007; Pires et al., 2010).

Até o momento não houve estudos  que provem que a ayahuasca possua um risco potencial para usuários persistentes. Neste sentido, Gable (2007) assegura que o potencial de dependência oral da DMT e as perturbações psicológicas são mínimas (Pires et al., 2010). 

É fato que a DMT pode induzir episódios psicóticos transitórios, que, no entanto, se resolvem espontaneamente em algumas horas, sem necessidade de tratamento médico (Pires et al., 2010). 

Os delírios  se apresentam só durante a intoxicação aguda, se atenuando antes das primeiras 6 h após o consumo. Para o diagnóstico de um trastorno psicótico devido a ayahuasca, é preciso que os sintomas se prolonguem além das 48 h e é considerado uma situação excepcional (Neyra-Ontaneda, 2017).

As publicações que reportam casos de surtos psicóticos de fato, os vinculam com crises psicóticas anteriores ou com  “o entorno do ritual” (a cerimonia é conduzida por uma ou várias pessoas que sofrem de transtornos psicológicos e de alguma forma fomentam os delírios dos pacientes). 

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Como o consumo da ayahuasca é restrito no contexto do mundo inteiro, as pesquisas são limitadas. Porém as pesquisas realizadas com membros da União de Vegetal no Brasil, não evidenciaram importantes distúrbios psiquiátricos ou comportamentos ligados à dependência (abstinência, tolerância, comportamento de abuso e perda social).

Neste sentido, uma das pesquisas mais consistentes tratou dados entre 1994 e 2007, facilitados pelo Departamento Médico Científico (DEMEC) do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal (UDV). Se observaram 29 casos com características psicóticas. Entre os 19 que tiveram relação com a ayahuasca,  apenas 4 foram primeiros episódios de surtos psicóticos, em outros 10 a ayahuasca foi um fator importante, e 5 se corresponderam com pessoas que já tinham apresentado quadros clínicos. Para estimar a taxa de incidência de novos episódios psicóticos vinculados à ayahuasca, os autores consideraram as 130.000 pessoas que passaram cada ano pelos rituais da UDV (população de risco) e os 14 casos antes descritos. O resultado daria 10,8 cada 100.000 pessoas/ano, um número, segundo os autores, incluso inferior ao calculado para a população geral brasileira (Lima & Tófoli, 2011 apud Neyra-Ontaneda, 2017).

Esses valores são consistentes com outros estudos, por exemplo o de Gable (2007), quem estimou o risco de apresentar um surto psicótico em cada sessão de consumo. Para as 25.000 sessões consideradas, se registrou uma taxa inferior a 0,1%, podendo-se concluir: “O uso da ayahuasca não é um evento desencadeante de psicosis sustentada no tempo”.

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As viagens da consciência : Ayahuasca (I) – Neuropsy
Os cinco níveis da experiência psicodélica
Marambá: um zoom na experiência piscodélica das high bpm

 

Bibliografia consultada:

Gable R. 2007. Risk assessment of ritual use of oral dimethyltryptamine (DMT) and harmala alkaloids. Addiction, 102, 24-34.

Carhart-Harris, R.L.,  Leech, R, Hellyer, P.J, Shanahan, M., Feilding, A., Tagliazucchi, E.,  Chialvo, D.R & Nutt, D. 2014. The entropic brain: a theory of conscious states informed by neuroimaging research with psychedelic drugs.  Frontiers in Human Neuroscience, n° 10, 1–22.

Grob C.S., Mckenna D.J., Callaway J.C., Brito G.S., Neves E.S., Oberlaender G. 1996. Human psychopharmacology of Hoasca, a plant hallucinogen used in ritual context in Brazil. J Nerv Ment Dis, 184(2), 86-94.

Guimarães do Santos, R. G. 2007. Ayahuasca: neuroquímica e farmacologia. SMAD. Revista Eletrônica Saúde Mental Álcool E Drogas, 3,  

La Vanguardia. 2017. Jordi Riba, designado científico influyente.

Open. 2016. Jordi Riba looks back on more than fifteen years of ayahuasca research.

Osório, F.L., Sanches, R. F., Macedo, L. R., dos Santos, R. G., Maia-de-Oliveira, J. P., Wichert-Ana, L., Hallak, J. E. 2015. Antidepressant effects of a single dose of ayahuasca in patients with recurrent depression: a preliminary report. Revista Brasileira de Psiquiatria, 37(1), 13–20. 

Neyra-Ontaneda, D. 2017. Psicosis inducida por ayahuasca: reporte de un caso. Revista de Neuropsiquiatria 80 (4), 265–272.

Santos, R. G., Landeira-Fernandez, J., Strassman, R. J., Motta, V., & Cruz, A. P. M. 2007. Effects of ayahuasca on psychometric measures of anxiety, panic-like and hopelessness in Santo Daime members. Journal of Ethnopharmacology, 112(3), 507–513. 

Segal Z.V., Bieling P., Young T. 2010. Antidepressant monotherapy vs sequential pharmacotherapy and mindfulness-based cognitive therapy, or placebo, for relapse prophylaxis in recurrent depression. Arch Gen Psychiatry; 67(12), 1256-1264.

Sigman, M. 2017. La vida secreta de la mente. 8ª edição. Debate. Buenos Aires, Argentina, 186-188. 

Sociedelic. 2016. Ayahuasca stimulates the birthof new brain cells. Jornal Eletrônico. 

Rolling Stones. 2017. People Shaping the Future in Tech, Science, Medicine, Ac