A Morte e o Trance

~ Uma análise do Tarot ~

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Continuando a nossa Jornada do Louco (…)

Depois de muitas andanças e crescimento pessoal, a jornada do Louco travou na figura do décimo segundo Arcano, O Enforcado, ali ele paralisou em uma viagem interna, cheia de questionamentos sobre sua vida mundana e o elo dessa energia com seu espírito, que agora ele compreendeu existir. Ao perceber a imensa necessidade de transformação pessoal e abandono do antigo “eu”, como uma roupa que já não lhe servia mais, ele dá um passo a frente e se transporta para o décimo terceiro Arcano Maior, A Morte.

Há quem diga que durante nossa vida, morremos e nascemos várias vezes. Na caminhada do Louco não será diferente. Ele já transitou pelas etapas mundanas e descobriu que não somos meros corpos físicos com um espirito em seu interior, somos espíritos dentro de corpos físicos, e há uma diferença enorme aí. Essa ideia que o travou em momentos anteriores, hoje se expande. Ele vê o mundo maior, muito maior, então… Ele se liberta! Desapega de antigos padrões e crenças, dá um salto daquela posição do enforcado e se deixa cair no vazio. E nessa queda, ele morre! Morre para seu antigo eu, morre para aquelas verdades e certezas que o aprisionavam.

A Morte chega doce e silenciosa, ceifando aquilo que já não traz mais benefício algum e encerrando uma fase na vida de nosso caminhante. É hora de desapegar, pois (como dizia OSHO) não há como subir a montanha carregando um morto. Assim, é preciso velar os acontecimentos e abrir-se para uma nova vida. O fim torna-se necessário para que O Louco prove do sabor das grandes transmutações, encontre novos espaços para realizações e renasça para o entendimento que, para construir sobre novas bases sólidas, também é preciso aceitar a inevitável destruição dos antigos alicerces.

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Analisando o Arcano:

O carta da Morte no Tarot de Marselha é representada pela imagem de um esqueleto, ainda encoberto por um pouco de pele e que tem uma foice nas mãos, a atitude configurada nos faz crer que ele está ceifando a vida, como quem limpa um terreno para deixá-lo novamente pronto para o plantio. Aos seus pés, junto com as ervas daninhas ali estampadas, vemos mãos, pés e cabeças humanas, no solo jazem reis, rainhas, pobres e ricos, ninguém foge da Morte. Essa analogia com a limpeza de um terreno é bastante coerente, pois o XIII Arcano trás consigo a ideia de um fim necessário, para que possamos continuar a jornada, semeando novos conceitos e posturas.

A Morte simboliza o abandono de velhos hábitos, a metamorfose, o término de uma fase, a resignação e o desapego, a transição e a transformação… E, como toda carta de Tarot, possui seus desafios e suas sombras; ela não representa a morte como um fim, mas como um leque de condições que nos fazem mudar de rumo. Do ponto de vista da saúde, por exemplo, pode representar o fim de uma fase ruim, mas que deixa sequelas… Seja no corpo físico, ou espiritual. As más notícias também acompanham esse Arcano, assim como tudo que é inevitável, ora provocado pelo próprio consulente, ora por condições externas as quais não há o que fazer.

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Na caminhada espiritual, A Morte simboliza um momento de crise, onde pode ocorrer o risco da mudança radical de rumo e abandono da fé. Mas, também aparece para sinalizar o fim de um Karma. Uma ação caracterizada na imagem pelo uso da foice, que limpa o caminho do consulente.

No plano emocional, nos avisa que poderá haver um afastamento, um corte nas  relações. Pode uma esperança ser destruída; ou, até mesmo, um sentimento chegar ao fim.

No mental, surge a ânsia de renovar as ideias. Um fenômeno que faz mudar de forma total ou parcial o que estava sendo produzido. Mudando a visão sobre alguma situação e exigindo uma nova perspectiva.

No plano físico, A Morte sempre trás perdas, imobilidade, total transformação nas atividades. Pode ser necessário abandonar alguns hábitos para ter uma saúde melhor.
Financeiramente falando, possibilidade de cortes e perdas; projetos que não saem do papel; possível perda de um emprego, ou investimento.

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A Morte e o Trance:

Nosso Louco está cansado de ficar estagnado e resolve mudar tudo a sua volta. Então ele morre! Morre aquele antigo viajante para dar espaço para um novo peregrino. E A Morte vem para aliviar as tensões, vem para aquilo que inevitavelmente não tinha mais como curar ou resolver. Ele abandona velhos hábitos, corta pessoas e situações que ele percebeu que não lhe traziam benefício algum, deixa morrer velhas ideias e enterra de vez aqueles projetos inacabados e cheios de empecilhos.

Como uma Phoenix que precisa queimar para ressurgir das cinzas, ele desponta para uma nova fase em sua caminhada pelo Trance… Mas, para isso é preciso limpar o terreno, é preciso que o Sol se ponha hoje, para que um novo dia nasça amanhã. Sabendo disso, ele se deixa morrer.

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Ele compreende que a roupa não precisa ser aquela “modinha”… As ideias não precisam seguir uma crença ou um padrão. Que A Morte chega para todos… E com ela a mais incrível das transformações. O espírito se alforria, e dá lugar a um novo Louco, pois a vida é cheia de recomeços, e cada qual, seguindo a sua respectiva Morte.

A Morte vem ceifar não a vida em si, mas a forma. Ela transformará o ser, libertando-o. Acabam-se os medos, as dores, sombras e pensamentos agoniantes. Por fim, após um breve luto, o espaço para o novo se abre. Um novo eu, um novo Louco, um novo passo para nosso lépido caminhante.

Durante seus passeios pelo Trance, O Louco cresceu, aprendeu, conquistou, amou, errou, se autossabotou, perdoou… E fixou-se em seu mundo confortável, até que percebeu que todas as coisas são mutáveis, essa é a essência do Universo. Que é preciso espaço para o novo, que o corpo inerte precisa ser repaginado e o espirito, liberto. É preciso tomar decisões, aqui mora o livre-arbítrio, no deixar-se ir. Desapegar-se é a meta! Deixar morrer dentro de si, seu antigo eu é crucial.

Aqui vemos um terreno vago, um local excelente para semear novas ideias. Ele vê que no caminho se perde a(o) namorada(o); alguns amigos; bens, ideais; até mesmo, cabelo (risos). E, mesmo assim, o tempo não para.

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Tomado por uma profunda abnegação, ele segue sozinho a sua nova jornada. Não é preciso mais a turma, ou os estimulantes, ou as tradicionais esferas das crenças e curas. Só é preciso retirar o que não tem mais utilidade, sejam valores, sejam convicções. Pois tudo na vida tem principio, meio e fim. Cada passo segue esse preceito, então, é hora de enterrar os mortos para poder semear o que se quer colher daqui para frente.

O luto vem, e a libertação vem com ele. Esse Arcano avisa que morrer é viver em um circulo que inicia e termina no mesmo lugar. E o Louco segue seu caminho pelo Trance, renascido e muito, mas muuuuito mais Louco

Pronto para se transmutar no próximo Arcano MaiorA Temperança.

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