O Enforcado e o Trance – Esotrance

~ Uma análise do Tarot ~

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Continuando a nossa Jornada do Louco (…)  

Na jornada que descrevemos até aqui, o Louco caminhante já absorveu (e transmutou) muitos arquétipos e com isso, possui quase todas as virtudes físicas e mentais… Como vimos até aqui, ele usufrui de seu intelecto (O Mago), sua percepção (A Papisa), é inventivo (A Imperatriz), estável (O Imperador), age com sabedoria (O Papa), faz melhores escolhas (Os Enamorados), tem determinação (O Carro), possui autocritica (A Justiça), é prudente (Eremita), sabe que tudo tem altos e baixos (A Roda da Fortuna), é forte (A Força)…  Mas agora, sua transformação chega ao Arcano número 12, O Enforcado e é o momento de nos lembramos da falta do espírito em nosso Louco andante.

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Analisando o Arcano:
O Enforcado (também conhecido como O Empacado, ou O Pendurado) é
representado na carta como um jovem rapaz que aparece preso a uma árvore. Ele é O
Enforcado, mas ele não está morto… Está pendurado de cabeça para baixo,

amarrado por um dos pés. Mesmo estando em uma posição estranha aos nossos
olhos, se analisarmos a imagem, ele não parece desconfortável, ele está ali, preso por
um dos pés, com uma das pernas esticada e a outra cruzada, de forma relaxada… Seu
rosto, iluminado, demonstra tranquilidade. Aparentemente, ele poderia facilmente se
libertar, se quisesse. Mas sua vontade, aqui, não é física…

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Esta carta representa o primeiro grande passo na senda sagrada. Esse momento traz uma revelação fundamental, ela nos faz compreender que o espírito é eterno, nunca morre. Logo, qualquer desejo ou atitude virá de nossa essência primordial, das profundezas de nosso ser.

A energia dessa lâmina carrega uma compreensão da existência do ser-dentro-do-ser, essa descoberta traz consigo uma revolução no caminho da pessoa.

É a carta do espírito preso dentro do homem. Ela está relacionada com o Karma e suas mazelas.

Na jornada espiritual, a imagem do Enforcado retrata o instante em que o nosso peregrino se depara com as limitações de sua encarnação e aceita quitar as dívidas Kármicas.

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No plano físico, a pessoa não se liberta da doença. Não busca melhora, fica presa ao problema e não procura ajuda, nem solução. Problemas de saúde relacionados ao Karma também aparecem.

No plano emocional, ele nos fala de relações Kármicas; o convívio não apresenta evolução, pois obstáculos impedem. Muitas vezes deixando a pessoa amarrada e limitada a relacionamentos desagradáveis ou vampirescos.

Nas questões financeiras, processos Kármicos impedem a pessoa de ganhar seu sustento. Negócio amarrado, projetos empacados, demora em aparecer soluções. Longas esperas por coisas que não chegam, está ligada a energia desse Arcano.

A presença do Enforcado, ao contrário do que parece, não nega realização, mas representa aquele que prefere delegar as decisões para outras pessoas, ele não costuma lutar ou apresentar oposição a quaisquer que sejam as questões. É um arquétipo de aceitação e submissão. Comumente a humildade e a subordinação são atributos desse Arcano.

Mas, há também aspectos negativos, como vimos antes, a falta de atitude, a apatia, o comodismo; a aceitação de um destino negativo, por preguiça de mudar. Colocar-se como “vítima do Karma” e seguir sem procurar entender a lição de vida que o momento traz.

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Dependurado no Trance:

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Tudo estava indo bem em sua jornada, mas eis que aparecem situações em que nosso amigo Louco fica empacado. Ele age como se não enxergasse, nem buscasse, uma saída.

As coisas estão acontecendo ao seu redor, mas ele não participa, como se não conseguisse ver-se ali.
Obviamente não é seu melhor momento, mas parece que ele prefere não reagir a isso. Fica como que travado ante aos pequenos obstáculos, aos quais antes ele nunca deixaria de se pronunciar.

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Outrora, nosso Louco, ao saber da possibilidade de algum evento, procuraria se antecipar aos fatos, verificar os calendários, comprar os ingressos, participar da produção, unir-se com grupos e amigos, organizar (e organizar-se) para ir a algum Festival… Hoje ele parece inerte a essas atividades. Como que aguardando que alguém – ou que algo – se defina e realize as escolhas por ele.

Acomodado, ele perde oportunidades. Mas, ao ser questionado, parece não se importar. Ele não esboça reação, nem sofrimento, nem preocupação, como quem apenas aceita imóvel o que o destino lhe apresenta. Aos olhos dos demais, ele é uma sombra do rapaz sagaz e obstinado que todos conheciam.

Ele sabe que não está correto, que não está de acordo, que não está bom… Porém, fica inerte, preso a famosa “zona de conforto”, aquela conduta de quem sabe que está ruim, entretanto nada faz para mudar.
Algo o esta bloqueando, seriam outros valores!? Aceitação do momento Kármico!? O que acontece com nosso tão incansável viajante, antes tão empolgado com suas ideias e descobertas?

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O peso do arquétipo, O Enforcado, não permite realizações no plano material, sem antes cortar a corda que o prende, essa corda ilusória que tira os movimentos do Louco é a lembrança incomoda de um fato que até então não havia sido apresentado em sua peregrinação:
Ele já possui quase todas as qualidades mentais e físicas, como já vimos, mas lhe falta reconhecer um requisito fundamental em sua personalidade: O Espírito.

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Quando nosso jovem Louco assimila isso, sua jornada passa por uma guinada total, onde o seu instinto animal, ligado ao medo do desconhecido é substituído pela revelação de um poder maior do que sua mente jamais poderia conceber. Então, ocorre uma grande ruptura. E, através dessa nova visão, a união do homem com o espírito, nosso Louco completará mais essa etapa da jornada. Entrando em contato direto com seu espírito, ele se torna uno.

E, a partir do momento em que acontece essa fusão, a energia volta a fluir e ele percebe que é preciso que ele se modifique. O Louco compreende que é preciso mudar e, para que algo novo nasça… O antigo deverá morrer.

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